04 dezembro 2008

Chuva...

Hoje a chuva toca-me na alma...chove cá dentro, uma chuva miudinha, sem prazo para parar...a minha cor é a da chuva...a minha temperatura é a da chuva...hoje sou feita de chuva, frágil e vulnerável como ela....ao sabor do vento. É um dia triste, cinzento sem dúvida, mas necessário...como a chuva que irrita e impede as pessoas de fazerem certas coisas, como a chuva que é desagradável porque nos molha, nos arrefeçe, mas a mesma que é tão precisa para as mais diversas coisas...como a chuva que eu sinto dentro de mim, chata, fria, desagradável, feia, angustiante, deprimente...mas infelizmente necessária! No meio de tudo isto o pior é que sei que não vai parar de chover tão cedo, pode abrandar por instantes, até parar, mas a nuvem lá está, carregada, a ameaçar, pronta pra começar a aliviar o peso...e volta a chover em mim...quanto tempo mais? ...se ainda agora começou....se eu escolhesse não chovia nunca...a vida era só feita de sol e calor...verão e primavera...nem outono nem inverno...mas quem sou para mudar algo que sempre existirá, frio e quente, chuva e sol, nuvens e céu limpo...claridade e escuridão...todos necessários, em diferentes etapas da nossa vida, e que devemos aceitar de peito aberto e como parte integrante da mesma...hoje chove, quem sabe quando fará sol, mas a certeza que ele virá a brilhar um dia é maior...acreditar é tudo e eu acredito que o meu lugar ao sol existe .... somewhere over the rainbow....

23 novembro 2008

AKITA

Akita...tanto para dizer quando digo este nome...tantas memórias, tantos são os momentos, tantas são as recordações...e infelizmente tudo o que posso fazer quando evoco este nome é recordar...porque partiste faz hoje dois anos para a viagem que a todos espera, a viagem para a qual todos temos bilhete, lugar e hora marcada...tu, meu anjo, partiste nos meus braços, uma decisão tão dificil como a de cravar um punhal no meu próprio peito...mas teve que ser...tu sabes o sofrimento que passavas...e nós sabiamos o que passavamos ao ver-te sofrer...não te ver correr na praia deserta quando te tiravamos a trela e te sentias livre, aí sim, davas largas ao verdadeiro Akita...um animal forte, robusto, feliz...que corria para o mar sem medos ou receios...que perdia tempos infinitos a ver cada onda a rebentar e o barulho que a acompanhava...lindo...tenho tantas saudades tuas Akita...tantas que me dói o coração, que os músculos do meu corpo se encolhem, perante o amor infinito que sinto por ti....sim, porque o meu amor por ti é maior que eu, maior que tudo o que já conheci...Meu amigo...meu anjo e companheiro, que me alegrava com um sorriso de orelha a orelha quando chegava triste a casa, que me defendia quando me via em perigo, que me amava mais que tudo e todos...este amor é imortal e ficará gravado em mim pra sempre, numa tatuagem com o teu nome que gravarei no meu pulso esquerdo, onde levaste a injecção que te deu paz....só quero deixar neste meu espaço a saudade imensa que sinto e a lembrança de tudo em ti....amo-te como o primeiro dia em que te conheci, amo-te com a força do vento e da luz...amo-te mais do que amarei alguma vez qualquer outro ser na minha vida que resta....és único, ternura...serás sempre "o meu Akita"...

16 outubro 2008

Simplesmente "Lya Luft" - Canção das Mulheres

"Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta. Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor. Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes. Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais. Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida. Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!'' Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize. Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire. Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso. Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher. "

Carapaça

Gostava de ser como as tartarugas, ter uma carapaça que me protegesse de quase tudo o que me ameaça..embora em muitas e variadas situações use essa "carapaça" para não ser atingida por alguns dos muitos defeitos do seres humanos: hipocrisia, falsidade, mentira, cinismo...enfim, mas hoje estou "sem carapaça"...hoje quem me quisesse fazer mal ou então fazer-me muito bem, rapidamente tocaria no meu coração...
Certo é que sem a carapaça do costume tudo passa sem ser filtrado...logo tanto coisas boas como más me fariam mal ou bem....será que alguém se conseguia aperceber que estava despida da minha armadura???Será que se alguém se apercebesse se aproximaria para me fazer bem ou mal? Nos dias que correm mais depressa apostaria que me fizessem mal...mas bom seria acreditar no contrário...e é mesmo nisso que vou acreditar...talvez alguém me trouxesse ou alimentasse este coração com um pouco mais de generosidade, ou alguma bondade até...
Por vezes caio no erro de dar um crédito á especie humana, mas arrependo-me sempre...será que tudo o que envolve a vida das pessoas fora das suas próprias casas, é mau, ou duvidoso e indigno de confiança?
Será que as pessoas como individuos só querem e desejam bem aqueles que lhes são intimimamente próximos?Será que todas as outras pessoas, desconhecidas, ou apenas conhecidas nos são indiferentes? Será que só o sofrimento de um filho, ou de uma mãe, ou irmão nos toca cá dentro de uma forma realmente sincera e profunda?
Será que todo o sofrimento que nos rodeia nos é alheio?Será que a indiferença de um ser humano
com o próximo é sempre a mesma, ou será que depende de um estado de alma,ou mesmo de o dia ter ou não corrido bem?
Sei que há muitas, várias vezes que deveriamos tirar esta carapaça, e passarmos a ser mais permeáveis ao sofrimento, dor, tristeza, desespero, ou mágoa alheia...
Sei que nem sempre o consigo ser, mas sei que muitas vezes o faço e me compadeço desses sentimentos que assombram o mais comum dos mortais que se cruze comigo, por vezes até penso neles antes de adormeçer, não em jeito de pedir ou rezar para que o sentimento seja de qualquer forma atenuado, mas sim como individuo que tenta descortinar o porquê de aquela pessoa se sentir daquela forma, ou de estar naquela situação...
Mesmo assim não chega, eu sei, mas acho que este seja um dos primeiros passos para passar á fase seguinte: Ajudar!

07 outubro 2008

Hibernar...

Sabem o que me apetecia? Hibernar... É incrivel o que alguns mamiferos têm a capacidade de fazer, quando o Inverno chega hibernam, depois de passarem o Outono a armazenar alimento para conseguirem aguentar os meses de Inverno, inclusivé têm um organismo tão perfeito que quase todos os orgãos ficam inactivos e o coração reduz os batimentos cardiacos para menos de metade...incrivel... e benéfico, porque para todos os efeitos só estão activos durante 8 ou 9 meses...dava jeito ás vezes!!! Pois eu detesto o Inverno, e como tal gostaria de ter essa capacidade, e desaparecer durante estes meses, para me esconder numa toca qualquer, longe de tudo e todos, do frio, da fome (ou comer só uma sopa de urtigas, como diz um grande amigo meu...) , das pessoas, dos problemas que me assolam durante o resto do ano...e ficar só...o verdadeiro descanso do guerreiro...isolar-me totalmente, fazer uma reflexão, do meu "eu", de tudo o que tenho feito até aqui na minha vida, com as pessoas que amo, aquilo que deixei de fazer, o que já podia ter feito...enfim, aquilo que todos os seres humanos em alguma altura das suas vidas fazem: uma Introspecção!!! Sinceramente acho que se todos o fizessemos seriamos seres humanos mais conscientes, mais coerentes, mais sensatos...porque afinal o que fazemos da nossa vida depende quase na íntegra de nós mesmos...só nos resta tentar fazer sempre o melhor, mesmo que para outros esse melhor não seja encarado como tal!!!

02 outubro 2008

Pedaços de Sonhos...

Hoje acordei melancólica...com saudades dos tempos em que brincava na rua sem preocupações, saudades dos tempos em que um pôr do sol como o da foto não me fazia pensar: será que ainda vou ver muitos assim? Por vezes penso que as vidas se cruzam por acaso, outras vezes penso com toda a certeza que há um fim para que a vida de duas pessoas se cruzem, acho que no fim andamos a apanhar pequenos pedaços dos sonhos dos outros... Gostaria de apanhar os pedaços de alguns sonhos partidos de pessoas que conheço, e de lhes dizer: vês como é possivel? não desistas...eu ajudo... Se alguém por si próprio não consegue realizar um sonho, porque não ajudamos? Se essa pessoa até compartilha comigo desse sonho que pensa já estar perdido, porque hei-de dizer pra mim própria: deixa-te estar quieta no teu canto..não tens nada a ver com isso, mete-te na tua vida! Será egoísmo, bom senso, medo? O que é certo é que tenho muitas vezes vontade de ajudar, de apanhar os pedacinhos desses sonhos, juntá-los e oferecê-los á pessoa que os julgava perdidos...
Porque com um pôr do sol destes é impossivel ser-se egoísta todos os dias...

24 setembro 2008

Amor Light...

Hoje em dia sou bombardeada com esta palavra em tudo o que é produto: Light... tudo é light, tudo é sem calorias, sem corantes, sem açúcar, enfim...Será que adoptamos este conceito também na nossa vida amorosa? Eu adoptei...o meu amor é light, livre de corantes que o façam parecer mais cor de rosa, livre de açúcar, porque é feito com mel natural, livre de conservantes porque amor que é amor conserva-se através dos tempos, renova-se, nasce ininterruptamente, constante e equilibrado, e livre de gorduras saturadas e polinsaturadas, porque o meu amor é saudável...é um amor genuino, verdadeiro, real, nú e crú...nada é disfarçado ou melhorado, tudo é como é...e ele é assim...sem subterfúgios, sem enfeites, sem palavras politicamente correctas, sem etiquetas ou actos previamente pensados...o meu amor é ao natural...e amo-o exactamente por isso...por nunca abandonar a essência que o anima, que lhe dá vida, mesmo que não seja a mais bela, ou a que toda a mulher sonha...mas é verdadeira, intensa e genuína! Essa é a palavra certa para descrever o meu amor: Genuíno!!! Sem corantes nem conservantes, sem gorduras que o camuflem, light, e biológico...porque acima de tudo alimento-me deste amor, acabado de colher do pomar encantado onde nasce, cresce e se desenvolve...sem aditivos, sem tratamentos quimicos...porque este pomar é único, reservado a poucos...este pomar chamado Coração! E o coração do meu amor é só meu...posso dizer com toda a felicidade, e ao mesmo tempo, com todo o egoísmo do mundo que tenho um pomar só pra mim! Um pomar biológico...onde nasce um fruto que todos os dia colho só pra mim, chamado amor, só meu, um amor light!!!!!