16 outubro 2008

Simplesmente "Lya Luft" - Canção das Mulheres

"Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta. Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor. Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes. Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais. Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida. Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!'' Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize. Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire. Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso. Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher. "

Carapaça

Gostava de ser como as tartarugas, ter uma carapaça que me protegesse de quase tudo o que me ameaça..embora em muitas e variadas situações use essa "carapaça" para não ser atingida por alguns dos muitos defeitos do seres humanos: hipocrisia, falsidade, mentira, cinismo...enfim, mas hoje estou "sem carapaça"...hoje quem me quisesse fazer mal ou então fazer-me muito bem, rapidamente tocaria no meu coração...
Certo é que sem a carapaça do costume tudo passa sem ser filtrado...logo tanto coisas boas como más me fariam mal ou bem....será que alguém se conseguia aperceber que estava despida da minha armadura???Será que se alguém se apercebesse se aproximaria para me fazer bem ou mal? Nos dias que correm mais depressa apostaria que me fizessem mal...mas bom seria acreditar no contrário...e é mesmo nisso que vou acreditar...talvez alguém me trouxesse ou alimentasse este coração com um pouco mais de generosidade, ou alguma bondade até...
Por vezes caio no erro de dar um crédito á especie humana, mas arrependo-me sempre...será que tudo o que envolve a vida das pessoas fora das suas próprias casas, é mau, ou duvidoso e indigno de confiança?
Será que as pessoas como individuos só querem e desejam bem aqueles que lhes são intimimamente próximos?Será que todas as outras pessoas, desconhecidas, ou apenas conhecidas nos são indiferentes? Será que só o sofrimento de um filho, ou de uma mãe, ou irmão nos toca cá dentro de uma forma realmente sincera e profunda?
Será que todo o sofrimento que nos rodeia nos é alheio?Será que a indiferença de um ser humano
com o próximo é sempre a mesma, ou será que depende de um estado de alma,ou mesmo de o dia ter ou não corrido bem?
Sei que há muitas, várias vezes que deveriamos tirar esta carapaça, e passarmos a ser mais permeáveis ao sofrimento, dor, tristeza, desespero, ou mágoa alheia...
Sei que nem sempre o consigo ser, mas sei que muitas vezes o faço e me compadeço desses sentimentos que assombram o mais comum dos mortais que se cruze comigo, por vezes até penso neles antes de adormeçer, não em jeito de pedir ou rezar para que o sentimento seja de qualquer forma atenuado, mas sim como individuo que tenta descortinar o porquê de aquela pessoa se sentir daquela forma, ou de estar naquela situação...
Mesmo assim não chega, eu sei, mas acho que este seja um dos primeiros passos para passar á fase seguinte: Ajudar!